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Anexo do BNDES

Equipe: Diogo Cavallari, Isadora Marchi, Paulo Catto, Victor Berbel, Victor Macedo, Vítor Costa
2014 [concurso de projetos]


Entre raízes e antenas

“… uma coisa é o lugar físico, outra coisa é o lugar para o projeto. E o lugar não é nenhum ponto de partida, mas é um ponto de chegada. Perceber o que é o lugar é já fazer o projeto”.
Álvaro Siza

A paisagem do Largo da Carioca e seus arredores nos revela a heterogeneidade de um espaço que sofreu profundas transformações ao longo dos séculos. Desde sua primeira ocupação com a construção do convento às margens da lagoa de Santo Antônio até os dias de hoje muitas camadas de cidade se sobrepuseram.

Da arquitetura colonial à reformulação com base no urbanismo francês do início do século XX, chegando ao processo de verticalização a partir da década de 1950, o Largo da Carioca e as quadras adjacentes constituem uma colcha de retalhos históricos, conjunto complexo de narrativas sobre os 400 anos de história da ocupação do lugar.

Difícil imaginar uma quadra capaz de resumir de forma tão contundente a densidade do sítio quanto aquela onde será construído o edifício anexo ao BNDES. Em um quadrado de 250x250 metros transita-se rapidamente do generoso e imponente espaço público coroado pelo convento franciscano do século XVII à vitalidade da estreita Rua da Carioca, ladeada pelo elegante conjunto de casarões históricos, chegando em seguida às modernas Avenida do Paraguai e Avenida do Chile, sedes dos grandes edifícios corporativos das décadas de 1970 e 1980.

Situado na zona de confluência da cultura histórica carioca com os símbolos financeiros e governamentais de uma metrópole, o anexo do BNDES deve se constituir como elemento de transição de escalas e linguagens, costurando narrativas entre o tradicional e a novidade. Neste lugar, a memória é matéria prima para o projeto e está sempre associada à ideia de processo - como relação dinâmica entre passado e presente -, conectada a raízes e antenas.

Implantado junto ao alinhamento da calçada na Av. do Paraguai, com gabarito próximo ao dos edifícios parede-a-parede da Rua da Carioca, o conjunto busca estabelecer relações de continuidade entre as duas vias, de forma a amenizar o contraste de escala para o pedestre.
À medida em que se afasta da calçada o edifício ganha em altura até atingir a cota máxima permitida (42m), de modo que a subida gradual do gabarito mantém a percepção do perfil natural do Morro de Santo Antônio. Diagramaticamente, é o processo de escavação e organização do morro em patamares para abrigar as atividades do BNDES, tendo a imagem do suporte geográfico inicial reconstruída pela ação humana.

Da quebra do alinhamento da calçada surge o largo de acesso e uma fenda (imagem 2), pela qual se dá a subida da escadaria pública que leva à praça elevada (imagem 3). Protegida do intenso ruído da Avenida do Paraguai, é o principal espaço articulador dos acessos aos programas corporativos e aos centros de acesso público, espaço de confluência (e convergência) entre os diferentes públicos do conjunto e local pra onde se voltam as principais vistas do conjunto. À semelhança de um claustro, esta estratégia garante o contato visual entre usuários do edifício em faces opostas ao vazio, estabelecendo relações de convívio mais dinâmicas a partir da multiplicidade de visuais, além de auxiliar na obtenção de luz e ventilação naturais.

A subida pública do Caminho de São Francisco segue em alternância de momentos de compressão e descompressão, sequência de escadarias e alargamentos (imagem 4), - locais de estar e mirar – que traz para dentro do edifício a promenade urbana de estratégias para vencer desníveis da cidade, ambiência comum nos inúmeros morros do Rio de Janeiro.
Ao longo da subida descortinam-se as coberturas verdes acessáveis em diferentes níveis (imagem 5), locais privilegiados para a contemplação dos jardins tombados de Burle Marx, a partir dos quais se estabelecem relações de continuidade visual das áreas verdes do conjunto EDSERJ + anexo.

Complementar à subida em degraus criou-se no largo de acesso, junto à calçada, um elevador independente que leva diretamente ao nível de acesso ao convento. Descolado do corpo principal do edifício o ascensor se sobressai como elemento autônomo e evidencia à Avenida do Paraguai a presença do histórico edifício religioso acima do outeiro.

Amarradas as pontas do Caminho de São Francisco, o complexo do BNDES cede espaço ao seu entorno, torna-se permeável ao transpor e abre vazios ao flanar. Tratado como pedaço de cidade, o projeto busca trazer urbanidade à arquitetura do edifício, relacionando o programa à história e ao vocabulário de espaços urbanos.

implantação

Planta 3o e 4o subsolos [-2.50m e -5.50m]

Planta 2o subsolo [0.50m]

Planta 1o subsolo [3.50m]

Planta térreo [7.00m]

Planta praça [11.00m]

Planta largo [15.15m]

Planta 4o pavimento [18.65m]

Planta pavimento tipo e terraço [22.15m]

Planta acesso ao convento [31.75m]