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Edifício Sol Nascente

Brasília | DF
2016 [concurso de projetos]
AUÁ arquitetos + CASA 9 arquitetura

Projetos de habitação coletiva e de interesse social no Brasil enfrentam questões que vão além da produção de moradias. Os números revelam que a produção anual de habitação social no Brasil, apesar de expressivos se analisados de maneira isolada, não são suficientes para remediar o déficit habitacional e ficam longe de resolver um problema maio que é a construção das cidades de forma equilibrada, justa e sustentável, econômica e socialmente. O projeto de HIS deve ser empreendido como instrumento de requalificação urbana ao conferir qualidade às áreas comuns, permitir a apropriação e promover o sentimento de pertencimento entre moradores e vizinhos do bairro.

O projeto apresentado pretende então, mais do que apenas prover moradia a uma parcela da população, contribuir com a construção de urbanidade e vida cívica. Os edifícios residenciais se inserem na escala urbana de Sol Nascente, articulam-se aos espaços livres e de uso público e lhe conferem dignidade, uso e vida. Habitação Social construindo a paisagem da cidade.

O projeto pode ser replicado para todos os lotes da quadra 700, adaptando-se à topografia de cada um, sem necessidade de modificações nem no edifício nem no estacionamento, pois foi pensado a partir do menor terreno, o Lote 1 do conjunto F, respeitando o afastamento de 5m a partir do limite do lote. Foram implantados 9 apartamentos por pavimento em 4 blocos de 4 pavimentos, com um total de 29 unidades – 16 unidades com 51,66 m², 10 unidades com 68,00 m² e 3 unidades com 53,36 m², contando com duas unidades acessíveis no térreo.
A partir da ideia de um volume com pátio central (1), caminhamos para a separação do anel monolítico em 4 lâminas menores (2), para melhorar as condições de ventilação e iluminação, e rotacionamos em 90º a lâmina longitudinal à rua, de modo a configurar uma praça de convívio conectada aos passeios públicos (3). O térreo de toda a quadra 700 configura-se como área de uso comum dos moradores, explorando a permeabilidade de percursos entre as calçadas e os lotes, e entre os lotes. Um passeio longitudinal atravessa a quadra 700 conectando todos os lotes e criando um eixo de convívio no miolo das quadras e estabelecendo uma rede de caminhos peatonais acessíveis, sempre com inclinações abaixo de 8%. Foram distribuídas 26 vagas na garagem em subsolo e 3 vagas no térreo, totalizando uma para cada unidade.

A estrutura do edifício foi concebida como uma mesa em concreto armado convencional com vãos de 8m entre pilares, que sustenta os 3 pavimentos de alvenaria estrutural em blocos de concreto. A escolha por esse sistema construtivo se deu por ser uma solução estrutural mais rápida, funcional e econômica, reduzindo a necessidade de execução de formas que um sistema convencional em concreto aplicado a todo o edifício traria.

O tijolo dá unidade a todo o conjunto, sendo utilizado em unidades, circulações horizontais e no térreo. Além de proteger os apartamentos de visadas diretas ao seu interior, oferecendo maior privacidade aos moradores, os rendilhados de tijolos funcionam como brises que filtram a luz solar e proporcionam maior conforto térmico às unidades.
Os espaços internos de todos os ambientes, residenciais e de uso comum, superam confortavelmente as exigências mínimas da norma de acessibilidade 9050 e as regras do MCMV. Todas as unidades são facilmente adaptáveis, por meio de pequenas reformas, ou já são adaptadas às pessoas com mobilidade reduzida (PMR).

1. VOLUME MONOLÍTICO | 2. ABERTURA DE VAZIO CENTRAL A PARTIR DE VOLUME MONOLÍTICO | 3. CONFIGURAÇÃO DE QUATRO LÂMINAS | 4. ROTAÇÃO DE UMA DAS LÂMINAS: CONFIGURAÇÃO PERMEÁVEL À VENTILAÇÃO E ILUMINAÇÃO NATURAIS E CRIAÇÃO DE PRAÇA CONECTADA AOS PASSEIOS PÚBLICOS

1. Subsolo | 2. Térreo | 3. Tipo