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Escola-Classe do Crixá – DF

Equipe: Diogo Cavallari, Isadora Marchi, Victor Berbel
Imagens: Alex Ninomia
Consultoria estrutural: Bravo engenharia

"Comecemos pelas escolas: se alguma coisa deve ser feita para reformar os homens, a primeira coisa é formá-los"
Lina Bo Bardi

O PÁTIO COMO RUA, A ESCOLA COMO CASA
O papel da escola no século XXI não é mais aquele que constituiu a grande fórmula do século XX: professores transmitindo um conhecimento rígido e básico, de caráter unidirecional e massivo às novas gerações, ignorando o fato de que todos os estudantes possuem distintas motivações, interesses e habilidades.
Segundo o arquiteto estadunidense Frank Locker “Estes salões fechados, retangulares e isolados funcionam muito bem para esta modalidade de aprendizagem, pouco afetiva para reter conhecimento. Além disso, está centrado no docente e não no estudante e não oferece aos alunos as habilidades que necessitam para sobreviver no mundo de hoje.”
O ambiente educacional deve propiciar o encontro, ter espaços diversos para apropriação de grupos de estudantes de várias idades e perfis, deve, enfim, promover relações com o mundo exterior em vez de isolar, tornando-se um espaço educativo, político e urbano.
Esta visão vem ao encontro do significado da palavra “Educação”, proveniente do Latim EDUCARE que é uma derivado de EX, cujo significado é “fora” ou “exterior” e DUCERE, que é “guiar”, “instruir”, “conduzir”. Ou seja, o significado original de educação é o de “guiar para fora”, o que pode ser tanto pode ser entendido como conduzir para o ambiente exterior quanto para fora de si mesmo.
A escola pública surge então como âncora de sociabilidade. Mais que alfabetizar, a escola adquire o papel de espaço agregador, abrindo suas portas à comunidade que a acolhe, sendo extensão da calçada e da rua, local de reunião e discussão, festa, teatro e música.
Nosso projeto para a Escola Classe do Crixá, parte deste princípios ao organizar o programa ao longo do pátio linear, ou rua-pátio, longitudinal ao terreno que conduz da calçada à quadra esportiva. A rua-pátio é intersseccionada em dois pontos pelos acessos a partir da Avenida Crixá. Neste trajeto, os programas são separados em diversos volumes independentes intercalados com pátios verdes que se projetam sob a cobertura e invadem o espaço interno da escola, colocando a vegetação do cerrado e a horta escolar em contato direto com quem percorre o trajeto.
Desta maneira, pátio, circulação e área verdes tornam-se um só elemento, e envolvem os espaços de ensino. Ao contrário de uma grande caixa no qual as salas são dispostas em linha continua e acessadas por um corredor, ou ainda de salas dispostas ao redor de um grande pátio retangular, propomos uma sequência de pequenos volumes, envoltos pela vegetação e permeáveis à luz e ao vento, conferindo a este edifício de 5600m2, 29 salas de aula e 870 alunos, uma escala acolhedora, que aspira ao bem-estar do lar.
À multiplicidade de percursos do térreo – propiciada pela possibilidade (convite) de se desviar do eixo central e caminhar sobre os jardins – sucede-se a circulação contínua do pavimento superior, um anel que tem os programas dispostos ora dentro, ora fora de seu perímetro.
Desta disposição surgem percursos nos quais sólidos e vazios se alternam de maneira cinética durante o caminhar, obtidos a partir da fragmentação do modelo de escola em bloco único, espalhando os programas sobre o terreno e, desta maneira, aumentando a superfície de contato da escola com o exterior.
A cobertura metálica unifica os espaços, cobrindo o pátio e as circulações, mas aberta nos interstícios entre os programas. Desta maneira a escola “respira”, comportando-se menos como um grande edifício e mais como rua coberta, desdobramento do tecido urbano que a cerca.

Circulação Superior

Rua-Pátio

Quadra coberta

Sala de aula

Sala de leitura

Corte transversal

Cortes ampliados