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Projeto urbano Baixio-Guaraú

O FUNDO VIRA FRENTE

O projeto urbano Baixio-Guaraú se localiza na cidade de Itanhaém, no litoral sul do estado de São Paulo, em área localizada entre o centro histórico e o rio Itanhaém. A área de projeto caracteriza-se pelo histórico isolamento e baixa ocupação em relação ao centro da cidade,(imagem X) excluída da dinâmica cotidiana pela linha férrea elevada sobre talude. A área caracteriza-se ainda pela fragmentação fundiária, que limita as possibilidades de percurso e impede o contato da população com a orla fluvial. (imagem y).
Neste sítio estão presentes os dois históricos pontos de atracamento de embarcações de pesca artesanal (Baixio e Guaraú) e apresenta diversas atividades relacionadas ao mar, ao rio e à cultura caiçara, desde a venda e beneficiamento do pescado, até a construção de embarcações, garagens náuticas, antigas construções relacionadas às atividades pesqueiras e portuárias, conferindo à área uma ambiência cultural específica dentro do tecido urbano da cidade.

Frente a estas condicionantes o projeto propõe:
1. Conectar a área ao centro histórico, ocupando e densificando as áreas do Baixio e do Guaraú de forma a integrá-las ao cotidiano da população, tornando-as centrais e vivas, com habitação, serviços e equipamentos públicos.
2. Criar orla fluvial contínua, conectada à orla marítima.
3. Potencializar as vocações já existentes na área, mantendo as atividades tradicionais, de forma a criar laços entre a intervenção proposta e a memória da área.
4. Conectar a área de projeto aos outros bairros da cidade.

A intervenção proposta baseia-se em ações encadeadas, mas que possam ser executadas de forma independente ao longo do tempo, de forma que a concretização de uma ação crie condições à implantação das seguintes. O objetivo fundamental é a consideração do projeto urbano como ferramenta para o desenvolvimento econômico, social e cultural da cidade, para isto, o projeto busca fortalecer a toda a cadeia econômica da pesca como forma de fomentar renda e emprego com inclusão social, além de criar novas atividades econômicas com base nos potenciais naturais, culturais e humanos existentes, a exemplo da diversificação do modelo de turismo de veraneio para outros modelos como o turismo cultural, rural e ecológico, e o incentivo às atividades econômicas criativas, relacionadas às especificidades culturais locais.

Do ponto de vista regional, este projeto faz parte da política de fortalecimento dos municípios ao sul da baixada santista frente a forte polarização exercida por Santos e os municípios centrais, que resulta em grande concentração de postos de trabalho, universidades, equipamentos culturais, etc e que tem como consequência o intenso deslocamento intermunicipal diário da população dos municípios ao sul em direção aos do norte.

Os programas propostos buscam articular diversas ações previstas no plano diretor do município de forma sintética no espaço urbano, integrando-as de modo a evitar intervenções desarticuladas e sobrepostas:
1. Orla Fluvial: Porto de atracamento para os barcos de pesca artesanal, barcos turísticos e para a navegação de rec¬reio: solução que é ao mesmo tempo infraestrutura e espaço para o lazer e desfrute da paisagem fluvial, diversi¬ficando o atual olhar exclusivo para a orla marítima e incorporando o rio e o mangue na paisagem cotidiana.
2. Mercado municipal: local de venda de produtos tradicionais na região, relacionados à gastronomia, à agricultura, à pesca, ao artesanato locais. O mercado vai além das relações comerciais e configura-se como um lugar de reconhecimento e valorização do patrimônio cultural da região, além de fazer parte de políticas publicas de incentivo às organizações comunitárias e cooperativas, requalificando trabalhadores e estimulando sua organização


3. Fábrica do pescado e sede da colônia dos pescadores: sede da cooperativa dos pescadores, com espaço para capacitação profissional. Estrutura para beneficiamento e armazenamento do pescado, promovendo seu aproveitamento integral e diversificado, de forma a agregar valor à produção pesqueira, reduzindo a ação de atravessadores e colocando a pesca artesanal em melhor posição na competição com a pesca industrial.
4. Estaleiro- escola: Unidade de ensino e profissionalização em técnicas de produção de embarcações tradicionais, promovendo o Curso Técnico de Nível Médio em Construção de Embarcações Artesanais. Aproveitando o conhecimento dos mestres carpinteiros, o técnico torna-se capaz de dominar todas as etapas, desde a construção até a manutenção, gerando renda para artesões e ajudantes e valorizando o conhecimento tradicional de construção naval da cultura caiçara.
5. Marina: relacionada à universidade, como apoio à pesquisa dos cursos de Oceanografia, Biologia Urbana e Turismo. Criação de programas para que to¬das os moradores da cidade possam fazer passeios de barco, construindo uma cultura da navegação, ampliando o conhecimento dos ecossistemas marinho e fluvial da cidade e, conse¬quentemente fortalecendo os senti-mentos de identificação e pertenci¬mento da população com o seu lugar.
6. Universidade Pública: Instituição pública de ensino superior com cursos que possam estabelecer relação com as temáticas importantes para o desenvolvi-mento da região: Turismo, Oceanogra¬fia, Biologia Marinha, História, Gestão Ambiental. A implantação da universidade buscou a máxima integração aos tecidos urbanos existente e proposto, constituindo-se como quadras comuns e não como edifícios isolados.
7. Parque do Lago: Parque ao redor do lago existente, preservando a área de mangue presente no local, com estrutura de madeira que possibilite o contato direto com a vegetação.
8. Edifícios de uso misto: Com 4 ou 5 pavimentos, no alinhamento da calçada com térreos predominantemente comercial ou de serviços.
9. Escola pública: ensino primário e secundário.
10. Terminal de transporte fluvial: O terminal fluvial proposto no projeto estrutura duas linhas de transporte público que conectam a área central a dois dos bairros mais populosos da cidade. Oásis e Umuarama. Desta forma se estabelece uma conexão rápida entre estes bairros e os novos espaços e equipamentos criados, através de um sistema de transporte de baixo impacto ambiental e que possibilita à população o desfrute diário da geografia e do ecossistema local.
11. Centro esportivo: municipalização do clube privado e abertura da estrutura esportiva existente à população.
12. Transposições: por baixo da ferrovia e sobre o rio, conectando a área aos bairros limítrofes.
13. Museu caiçara: Museu com conteúdo sobre a história da cidade e a cultura caiçara: música, artesanato, festas, pesca, agricultura, culinária, medicamentos, arquitetura, influências indígenas e influências portuguesas. Contém espaço para exposições temporárias, auditório e espaço para seminários e encontros relacionados aos temas do museu, consolidando-o como equipamento educacional.
14. Parque linear da ferrovia: Recuperação da paisagem da ferrovia junto ao centro histórico, integrando no mesmo percurso diversos patrimônios da cidade: a estação, a escola Jon Theodoresco, o morro do Itaguaçu e o arco de subida para o convento. Reafirmação da área como lugar privilegiado de observação do convento.

implantação

Mapa das linhas de transporte fluvial proposto, conectando a área de projeto a dois dos bairros mais populosos da cidade

Vista do mercado municipal proposto com requalificação da orla para passeio de pedestres e atracamento de barcos de pesca artesanal

Vista da orla requalificada com retirada das construcoes sobre o rio e implantacao do estaleiro escola e da fábrica do pescado

Vista do terminal de transporte fluvial, com requalificação da orla por meio da criação de vias compartilhadas.

Vista do Museu Caiçara proposto ao longo do parque linear implantado no leito ferroviário. Ao fundo est[a a rampa de subida para o convento Nossa Senhora da Conceição.

Vista da escola estadual projetada por Vilanova Artigas em 1969, conectada ao parque linear proposta por meio da retirada do muro que a encobria. Ferrovia reativada conecta Santos a Peruíbe, passando por Itanhaém. Ao fundo esté o Convento e a rampa de subida.