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Sede CAU/BR e IAB/DF

Brasília | DF
2016 [concurso de projetos]
AUÁ arquitetos + CASA9 Arquitetura + Bravo Engenharia

DUALIDADES COMPLEMENTARES
Fazer um edifício em Brasília significa integrar-se harmoniosamente ao conjunto urbanístico tombado e ao mesmo tempo criar uma obra condizente com a dimensão e a representatividade da cidade. Brasília e seus edifícios representaram o auge da arquitetura brasileira, impressionando o mundo com a poesia e a ousadia das soluções propostas.

A arquitetura moderna brasileira ficou conhecida pela plasticidade e pela inventividade estrutural de seus edifícios, aliando arquitetura e engenharia de forma inseparável, resultando em obras com total sinergia entre volumetria e raciocínio estrutural.

O edifício proposto para a sede dos arquitetos deve se colocar a missão de ser vanguarda da produção arquitetônica brasileira, deve ser único e permitir-se ir além das soluções ordinárias, como fizeram os edifícios emblemáticos de Brasília. O CAU e o IAB, como agentes ativos nos processos de valorização do papel do arquiteto em nossa sociedade e de recolocação da arquitetura brasileira em posição de destaque no cenário internacional são instituições dignas de se colocarem este desafio.

O que se espera da arquitetura brasileira? O que temos de novo a mostrar?

Nossa proposta consiste em dois edifícios-irmãos suspensos, semelhantes mas não idênticos, deslocados no sentido longitudinal do lote, sendo um para as atividades do CAU/BR e outro para o IAB/DF, representando a autonomia e preservando a identidade de cada instituição. Os dois edifícios ora pousam visualmente sobre os volumes de concreto que afloram do térreo, ora se soltam deles criando espaços abertos, numa composição volumétrica que ao mesmo afirma independência e complementaridade. O deslocamento entre as lâminas promove uma simetria dinâmica: na vista frontal o edifício do CAU está à frente, protegendo o caminho de acesso dos usuários até a entrada, na vista posterior o edifício do IAB está à frente, recebendo os usuários que vem pelo acesso a partir da área não edificante.
A estrutura dos edifícios-irmãos foi pensada a partir do conceito da engenharia chamado design generativo, que estuda de maneira computacional e automatizada o caminho dos carregamentos e elimina o material das regiões em que as tensões são próximas de zero, realizando o que se chama de Otimização Topológica. Trata-se de um método muito usado na indústria mecânica e que ganha crescente espaço na arquitetura, devido à grande diminuição do desperdício de recursos , uma premissa fundamental dos nossos tempos.

O desenho da viga-parede gerada pelo caminho dos esforços de tração e compressão integra-se naturalmente às espacialidades interna e externa do projeto, tornando-se um elemento essencial ao caráter e ao simbolismo da arquitetura proposta, que tem por objetivo retomar a simbiose entre forma e estrutura, colocando o edifício como referência da interdisciplinaridade da profissão do arquiteto.

O programa está organizado em três camadas: os edifícios, o térreo superior e o térreo inferior. Entre os dois edifícios, onde estão as áreas mais restritas, a autonomia é total; no térreo superior, acontece a conexão entre os halls de entrada das duas instituições sobre uma marquise que se constitui como uma praça de acesso; no térreo inferior prevalece a fluidez, configurando o espaço contínuo da praça de estar. A solução em dois térreos resolve a diferença de cota entre as partes alta e baixa do terreno, permitindo o atravessamento longitudinal do terreno e conectando a Via L2 Sul à via próxima ao limite posterior do lote. Reforça-se assim a acessibilidade e o conforto humano ao promover a livre circulação de pedestres, uma das premissas fundamentais do projeto do Plano Piloto.

O contraste entre as materialidades reforça o conceito de dualidade presente na composição em dois edifícios paralelos. O térreo, em concreto cor de areia, denso e sentado sobre o solo complementa-se com a materialidade das lâminas transparentes, flutuantes sobre a água e reafirma por meio dos materiais o equilíbrio dinâmico entre os conceitos de arte e técnica, tradição e vanguarda, forças complementares intrínsecas ao pensamento do arquiteto.

A concepção estrutural dos edifícios de escritórios foi fundamentada na posição dos pilares principais, usando o balanço como fator de balanceamento dos esforços, diminuindo o momento fletor positivo e aumentando o negativo (imagem 1). Com comprimento total de 56 m, o edifício ficou com balanços de 11.2 m e o vão de 33.6 m, o que levaria a estrutura a necessitar de vigas de aproximadamente 4 metros de altura, por isso o uso de um elemento estrutural aproveitando toda a altura do edifício (imagem 2). Uma viga-parede de alma cheia bloquearia o contato visual interno/externo, além do peso que tal elemento traria para estrutura. Para criar aberturas nessa viga-parede foi utilizado o conceito de design generativo, que elimina o material das regiões em que as tensões são próximas de zero, realizando o que se chama de Otimização Topológica. A imagem 3 apresenta as tensões de compressão em azul e as de tração em vermelho. A partir da primeira análise eliminam-se as regiões de menor tensão e refazem-se os cálculos, evidenciando as regiões mais importantes para o equilíbrio em cores mais escuras e as menos solicitadas em cores mais claras (imagem 4). O modelo absoluto é obtido à medida que regiões mais claras já não aparecem com tanta frequência (imagem 5). Ao fim da otimização, gera-se novo diagrama de tensões para visualizar melhor a separação entre tensões de tração e de compressão (imagem 6). A partir da forma otimizada foi concebido um arranjo estrutural que fosse não só capaz de refleti-la, mas também de resistir aos esforços solicitantes, convertendo o vilão estrutural em protagonista arquitetônico (imagem 7).

A estrutura do edifício é constituída pelo vigamento do piso que conecta as vigas-paredes de alma vazada, que por sua vez são apoiadas em pilares de seção variável (imagem 01). As vigas metálicas trabalham basicamente a flexão, como mostra o diagrama de momento fletor (imagem 02). Já as paredes de concreto armado geradas com base na otimização topológica se comportam como viga-parede e tem o caminho dos esforços apresentado com o vermelho representando as regiões tracionadas e o azul, as comprimidas (imagem 03).

1. Térreo inferior | 2. Térreo superior | 3. Primeiro pavimento | 4. Segundo Pavimento